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JUCEY SANTANA LANÇA O LIVRO “MARIANNA LUZ: vida e obra”

Foi coroado de brilhantismo o lançamento do tão esperado livro de MARIANNA LUZ, no dia 10 do corrente, depois de mais de quatro anos de pesquisa.O evento marcou o encerramento da Semana da Cultura iniciada no dia 06, de iniciativa da Academia  Itapecuruense de Ciências Letras e Artes, com ciclo de palestras, lançamentos de livros e apresentações teatrais.

A abertura do evento teve lugar na Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores, com missa Solene em Ação de Graças, pela passagem dos três anos da fundação da Academia Itapecuruense de Letras e dos 144 anos de nascimento de Mariana Luz, sendo a celebração presidida pelo padre itapecuruense Raimundo Gomes Meireles, que também é membro fundador da instituição cultural, AICLA.

Em seguida os convidados se encaminharam ao Itapecuru Social Clube, onde foi feito o
lançamento do livro, com a apresentação da obra pelos escritores itapecuruenses, Inaldo Lisboa e Benedito Buzar. Na ocasião foi também lançada pelo prefeito municipal Magno Rogerio Siqueira Amorim a Comenda Municipal de Mérito “MARIANA LUZ”, em homenagem à memória da grande mestra, de grande significado cultural. A Comenda foi criada pela Lei 1.319 de 5 de dezembro de 2014. A concessão da COMENDA  será administrada pelo conselho composto dos seguintes membros: I – Prefeito Municipal, II - Secretário de Cultura, III  – Secretário de Governo, IV – Secretário de Saúde, V – Secretário de Educação, VI – 01 Representante da AICLA, VII - )1 Representante do Legislativo.

O livro é dividido em três partes: a primeira é abordada a biografia da ilustre itapecuruense, a segunda parte o leitor encontrará a sua obra, que acredito ter resgatado de setenta e oitenta por cento dos seus escritos e também algumas crônicas de seus amigos escritas para ela ou sobre ela.  A terceira parte é constituída de dezoito recortes da história de Itapecuru-Mirim com temas que sempre nos desperta curiosidades e sempre procurados para pesquisas escolares como: Kelru, Enchentes do rio, Cadeia Velha, Quinta Velha, Famílias Influentes, Cemitério do Chico Cigano, Crendices Populares e outros.

O livro foi todo baseado em fontes de pesquisa. A autora tem em seu poder mais de duzentos jornais e outros documentos, usados na montagem da obra, isto deve-se ao fato de Mariana Luz, ter tido grande projeção nas artes: plástica, literária e teatral em âmbito estadual e até nacional, nos dois últimos decênios do século XIX e início do século XX. O acervo da pesquisa pode ser disponibilizado a estudantes, universitários ou pesquisadores que se interessem para produção de artigos, monografias ou outros trabalhos acadêmicos sobre Mariana Luz ou Itapecuru-Mirim.

Por Jucey Santana
Colaboração e Postagem de Cristiano Dias


                      NATAL

Nasceu Jesus, da vida o Pão doce e bendito
Como mesquinho ser, em pobre manjedoura,
Repousa suavemente a cabecinha loura,
Do que empina com amor o cetro do infinito.

Tu nasceste, ó Jesus, para amar o proscrito
E acolher com ternura a alma pecadora,
Assim, vem saciar a sede que devora
A pobre humanidade. Ah! Vem ouvir seu grito.

Como mesquinho ser, em pobre manjedoura,
Repousava suavemente a cabecinha loura
Do que empunha com amor cetro do infinito

Há tanta dor aqui, Jesus, tantos espinhos,
Tanto pranto a molhar, meu Deus, estes caminhos,
Gemidos a ecoar entre doridas mágoas...

Ó Jesus, Sumo do Bem em que a vida se encerra,
Tem piedade, ó Senhor, dos que vivem na terra,
Sem um sorriso de mãe para adoçar-lhes as mágoas.

                 Marianna Luz

Benedito Buzar comenta!



SUSTO EM ITAPECURU!

As primeiras notícias chegadas a Itapecuru a respeito do falecimento de Nonato Buzar deixaram a cidade assustada e pesarosa.Rapidamente a noticia espalhou-se e dava conta de que o falecido era o jornalista Benedito Buzar.


Os telefones da casa de pseudo falecido só pararam de tocar quando tudo foi esclarecido. Algumas lojas em Itapecuru, onde Buzar é super querido e estimado, chegaram a fechar as portas e as emissoras de rádio encerraram a programação.


SEM CHORO, COM VELA E MÚSICA


A cidade de Itapecuru assistiu, na tarde da última terça-feira (04) uma solenidade fúnebre inédita. Em vez de choro, mas com vela e música, o sepultamento do cantor e compositor Nonato Buzar, que antes de morrer pediu para ser enterrado em sua terra natal.

A cantoria, à base de músicas do falecido, teve como maestros os compositores eparceiros de Nonato, Gerude e Nosli, que, emocionados, participaram do velório ao lado dos parentes e conterrâneos do morto.


Os itapecuruenses atribuíram a Nonato um milagre na hora de seu enterro. Um violento temporal que ameaçava desabar sobre a cidade não caiu. Também uma bandeira do Fluminense, time do coração do falecido, surgiu de repente no velório e com ele foi enterrada.


Uma amiga de Nonato, a pró-reitora de Recursos Humanos da Universidade Federal do Maranhão, Maria Eliza Lago Borges, compareceu ao velório e, com a sua bela voz, cantou em homenagem ao falecido a música de sua autoria, Olho D’Água.


Texto extraído do Blog de Benedito Buzar
 http://www.blogsoestado.com/buzar/

Negro Cosme

Líder da insurreição negra que fez parte da Balaiada. Uma das maiores rebeliões populares da História do Brasil. Negro Cosme defendeu o fim da escravidão.



Cosme Bento das Chagas nasceu em Sobral, CE, por volta de 1800. Nasceu livre e vivia de pequenos expedientes, sabia ler e escrever. Foi preso em 22 de setembro de 1830, por ter assassinado Francisco Raimundo Ribeiro em Itapecuru-Mirim, sendo enviado à capital São Luis. Cosme fugiu da cadeia em 1° de maio de 1833, depois de liderar um levante de presos. Ficou foragido até 1838, quando foi capturado em Codó. Neste tempo ficou escondido em vários quilombos da região de Itapecuru Mirim.

Quando a Balaiada estourou em dezembro de 1838, ele se encontrava preso na capital, não participando da insurreição até o final de 1839. Cosme fugiria da prisão em outubro de 1839, e em novembro já se tinha notícias dele liderando os escravos nas várias fazendas às margens do Rio Itapecuru. No final de 1839, Cosme já era conhecido como Imperador da Liberdade.

Entre fevereiro e setembro de 1840, Luis Alves de Lima e Silva havia praticamente derrotado todos os rebelados, com exceção dos negros sob o comando de Cosme. Na Balaiada, os negros foram os últimos a capitularem. A insurreição foi dada por terminada somente quando as tropas legais capturaram Cosme. A captura ocorreu depois de uma sangrenta batalha realizada em Calabouço no município de Mearim em 7 de fevereiro de 1841.

Preso, seu processo foi aberto em março de 1841, arrastando-se por mais de um ano, pois somente em 5 de abril de 1842, realizou-se o seu julgamento. Negro Cosme foi condenado à forca por liderar no Maranhão uma das mais temidas insurreições do povo negro já ocorridas no Brasil. À frente dos quilombolas, lutava para pôr fim à escravidão, junto com líderes como o índio Matroá, o vaqueiro Raimundo Gomes e de Manoel Ferreira dos Anjos, o Balaio.

Cosme liderava um exército de escravos formado principalmente de africanos, visto que no Maranhão tinha um grande contingente de negros naquela época. Cosme organizou um grande quilombo em Lagoa Amarela e nele fundou uma escola. Negro Cosme contava com um exército de aproximadamente três mil homens.

Luís Alves de Lima só considerou a província realmente “pacificada” após a prisão de Cosme, no entanto, os combates foram tão intensos e ferozes que a política oficial se viu frustrada na tentativa de poupar a vida dos escravos que seriam devolvidos/entregues aos seus antigos senhores.

Cosme foi enforcado em Itapicuru Mirim entre os dias 19 e 25, provavelmente em 20 de setembro de 1842, transformando-se em símbolo da luta contra escravidão. 


Alvorada é Noticias/Cultura

O DESAPARECIMENTO DO GOMES DE SOUSA


BENEDITO BUZAR
Dias atrás, o Governo do Estado e a Prefeitura Municipal de Itapecuru-Mirim assinaram um termo de cooperação técnica e financeira com vistas à municipalização do ensino fundamental. Pelo convênio, o governo transferiu ao município a gestão de imóveis, matrículas de alunos e recursos financeiros para a manutenção das escolas que faziam parte de sua estrutura organizacional.No bojo desse convênio, uma triste notícia para os itapecuruenses: o desaparecimento do Grupo Escolar Gomes de Sousa, que ao longo de oitenta anos, prestou inestimáveis e relevantes serviços à comunidade, educando numerosas gerações e possibilitando o ingresso de dezenas de alunos em estabelecimentos de nível médio e superior de onde saíram qualificados para o mercado de trabalho.

Para quem nasceu e viveu em Itapecuru, o triste fim dado àquela tradicional unidade escolar foi inesperado, brutal e injustificável, ainda que o Governo do Estado e a Prefeitura procurem explicá-lo como uma iniciativa benéfica para a gestão dos negócios educacionais.Ao tomar conhecimento da decisão que culminaria na eutanásia do Grupo Escolar Gomes de Sousa um sentimento de revolta e de inconformismo apoderou-se de mim, a ponto de levar-me à Secretaria de Educação do Estado, onde além de registrar repúdio ao convênio, também, ofereci alternativas para salvar aquela importante unidade de ensino.

ITAPECURUENSE NOTÁVEIS


BERTULINO CAMPOS – O Canário Cantador
 
Por Jucey Santana

Contrariando a realidade do nordestino, com alto grau de analfabetismo, a grande popularização da literatura regional encontrada no meio das danças folclóricas se dá pelos esforços dos poetas autodidatas, que compõe e interpretam seus sentimentos para divertir o povo em determinadas regiões em época específicas.

            Esses poetas cantadores, em sua grande maioria de origem humilde, oriundos do campo, das roças migram para os centros urbanos onde passam a produzir suas toadas, muitas vezes com talentos hereditários, se tornando grandes líderes naqueles seguimentos, da cultura popular. Precisamos conhecer melhor, valorizar e respeitar a multiculturalidade própria de cada região, os significados, experiências, as lendas, o imaginário do folclore, e assim manter viva na memória, a identidade do nosso povo. 

Negro Leo, Buzar,Bertulino e Moaciene
            Em se tratando, de grandes representantes da cultura popular de Itapecuru Mirim, sem dúvida, não podemos deixar de lado,   Bertulino Campos.Berto estava presente em todas as  manifestações culturais, do nosso município, do bumba meu boi também participava  das festas do  Divino,  Rodas de Coco,  Jornadas de São Gonçalo, Tambor de Crioula,  que são momentos ricos da cultura popular, precisamos valorizar essa rica diversificação que temos como difusor da nossa cultura.

FESTA DA LITERATURA


AICLA promove I Café Literário

A Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes – AICLA, realizou a sua primeira atividade cultural: Café Literário – que fez parte da programação de aniversário da cidade.
A atividade, além de reunir membros e convidados, celebrou a memória cultural da cidade e de sua gente, na forma de um café, que foi servido em meio a declamação de poesias, leitura dramática de textos em prosa e exposição de artes plásticas.
O evento começou com a execução do Hino de Itapecuru. Logo depois, foi exibida uma entrevista do presidente da AICLA Benedito Bogéa Buzar, concedida ao jornalista itapecuruense Brenno Bezerra. Buzar elucidou que a Academia é maior que qualquer membro, e pediu que os mesmos não estivessem ali meramente por status, e sim, no intuito de engrandecer a cultura itapecuruense. Convidado de honra do evento, Américo Azevedo Neto, imortal da Academia Maranhense de Letras, mostrou intimidade com a cidade ao proferir poesias em homenagem a mesma.
A coordenadora do Curso de Letras da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, em Itapecuru-Mirim. Helen Mamede agradeceu o convite e reforçou a grande presença acadêmica no evento, firmando compromisso com a AICLA para que a UEMA seja uma parceira contínua em eventos e projetos em prol da cidade.
Discursos finalizados, foi a vez do recital de poesias. Imortais como Cleylson Veras, Raimundo Nonato Lopes, Moaciene Monteiro, Josemar Sousa Lima, Inaldo Lisboa, Allison Rilktt, Assenção Pessoa, Theotônio Fonseca, além de pessoas presentes do público declamaram poemas de suas autorias e da autoria de outros itapecuruenses, fazendo desse o grande momento da noite, onde foi notável a interação de todos com o gênero poético. Os presentes que não tiveram a oportunidade de se apresentarem prometeram voltar no próximo evento para que assim possam expor seus trabalhos.
Orgulhoso, o Prefeito Antonio da Cruz Filgueira Junior afirmou que o trabalho em prol da cultura é perpétuo, e que momentos como aquele lhe dão emoção em fazer parte dessa cidade.
Matéria extraida do site:http://www.itapecuruagora.com/

Exposição “Universo de Cores” de Beto Diniz

Em tributo aos 142 anos de Itapecuru Mirim

O artista plástico Beto Diniz começou a pintar profissionalmente aos 16 anos e descobriu que com o talento para as artes plásticas precisava ir mais longe. Desde então,  deixou mais os pincéis de lado. De lá para cá já produziu mais de 150 quadros. Seu estilo é contemporâneo, seguindo em muitas obras a vertente do neosurrealismo com a técnica óleo sobre tela.

Natural do município de Itapecuru Mirim, o artista inaugurou dia 14 uma exposição em homenagem aos 142 anos de sua terra natal. A exposição, intitulada Universo de Cores, permanecerá em cartaz até o dia 21, na Biblioteca Pública Benedito Bogéa Buzar, nesta cidade. Beto Diniz, hoje com 36 anos, é membro da Academia Itapecuruense de Ciências, Letras e Artes, que tem como presidente o imortal Benedito Buzar. Diniz ocupa a cadeira de número 5, cujo patrono é Joaquim Gomes de Souza.

Formado em Pedagogia, ele desenvolve trabalho de arte-educação no Centro de Referência Especializado de Assistência Social  no município, emprestando um pouco do seu talento no campo das artes para ajudar a crianças e adolescentes. “É um trabalho social, que também ajuda a jovens vítimas das drogas. Procuro fazer a minha parte e com arte”, disse Beto Diniz.
“Universo de Cores” retrata, segundo o artista, entre outras coisas, a essência do neosurrealismo. São 30 quadros de tamanhos variados e diferentes títulos, entre eles Desilusão da ilusão. O trabalho do Itapecuruense chamou a atenção do artista plástico Jesus Santos, que fez questão de apresenta-lo à reportagem de O Estado. O mestre Jesus Santos ficou impressionado com o talento do artista  elogiando muito  suas telas.

“Apresento também paisagens e obras figurativas”, informou o artista plástico, que já realizou outras exposições em Itapecuru, Balsas e em São Luís, a exemplo de uma que apresentou no Odylo Costa Filho. Alguns de seus quadros já foram enviados para outras cidades e países, entre eles Itália e Alemanha.Na exposição, Beto Diniz apresenta um recorte de seu trabalho. Obras como as telas alusivas ao bumba meu boi e ainda as sacras como uma tela na qual o artista retrata Jesus mostram seu lado figurativo. O abstracionismo também tem lugar na mostra com telas nas quais o artista lança mão de cores e movimentos feitos a partir de pinceladas precisas.

Incursionando pelo neosurrealismo, Beto Diniz apresenta telas nas quais se podem ver influência de mestres do surrealismo como Joan Miró e Salvador Dalí, mas que trazem peculiaridades como o uso de cores telúricas e imagens que carregam uma significação proveniente das vivências e sonhos do autor.Início – Beto Diniz nasceu em 22 de junho de 1976. Nos primeiros anos da adolescência, ele começou a ganhar seus primeiros trocados com desenhos e percebendo que podia profissionalizar-se, conjugando o prazer de produzir a uma profissão, buscou o aprimoramento de suas habilidades naturais.

Aos 16 anos, pintou seu primeiro quadro como profissional: uma releitura de A Santa Ceia, de Juan de Juanes, pintor renascentista. O início de sua trajetória foi caracterizado pela arte sacra, onde executou dezenas de obras que retratavam passagens bíblicas e de santos populares. Hoje, predominam em suas obras todos os tipos de influências contemporâneos.

Beto é presidente do Conselho Municipal de Cultura, foi professor de Artes no Colégio Leonel Amorim e na Escola Paroquial São Vicente de Paulo. Foi também presidente da Associação dos Artistas Plásticos e Artesãos de Itapecuru Mirim. Ao lado de artistas desta associação, realizou em 2000 a restauração dos altares mor e das imagens sacras da igreja matriz Nossa Senhora das Dores, que são um patrimônio histórico e artístico daquele município. Além disso, ele restaurou a imagem de Nossa Senhora das Dores que fica nos jardins da igreja matriz.Em 2002, o Itapecuruense recebeu convite para realizar oficinas de artes visuais na Semana da Juventude nos municípios de Alto Parnaíba, Balsas e Santa Filomena (PI), culminando com grandiosas exposições do próprio artista e dos alunos.

Fonte: O Estado do Maranhão – São Luís, 14 de julho de 2012

ITAPECURU MIRIM: 142, 195 ou 211 ANOS ?

BENEDITO BUZAR
Itapecuru Mirim, até antes de alcançar o status de cidade, o que só ocorreu na segunda metade do século XIX, teve em sua trajetória histórica fases administrativas distintas, que mostram a evolução pela qual passou ao longo do tempo.
Do ponto de vista cronológico, a primeira manifestação da Coroa de Portugal, com relação às povoações situadas na ribeira do Itapicuru, ocorreu, em 1630, por iniciativa de Bento Maciel Parente, futuro governador e capitão-general do Estado, que pediu para subdividir a capitania do Geral do Maranhão em quatro.
Uma delas ficou na ribeira do Itapicuru, para conter a invasão estrangeira nas terras maranhenses, em processo de franca expansão econômica, pela fertilidade de suas terras, piscosidade de suas águas, abundância de caças em suas margens, quantidade de gado e implantação de numerosos engenhos.
FREGUESIA DE ITAPECURU MIRIM
O segundo passo dado pela Corte lusitana, para dotar a povoação de uma estrutura administrativa mais organizada, deu-se em 25 de setembro de 1801, por Provisão Régia, que autorizou a criação da Freguesia de Itapecuru Mirim, para ficar sob as bênçãos de Nossa Senhora das Dores e não ser confundida com a Freguesia do Rosário do Itapecuru Grande, da qual se desmembrara.
A criação da Freguesia do Itapecuru Mirim deveu-se às condições orgânicas da sua povoação, que atingira um nível satisfatório de desenvolvimento e razoável expressão demográfica, bem como da existência de uma capela, cujo vigário era Antônio Fernandes Pereira.
FUNDAÇÃO DAVILA
A terceira etapa, que representa a evolução administrativa da povoação, então conhecida por Arraial da Feira, para se transformar em vila, surgiu na segunda metade do século XVIII, quando várias petições foram encaminhadas ao governo de Portugal.
Segundo o livro História da Independência da Província do Maranhão, de Luis Antônio Vieira da Silva, as ações voltadas para a fundação da vila de Itapecuru começaram em 17 de novembro de 1751, quando o governador Luis de Vasconcelos Lobo dirigiu ao rei D. José uma carta com 1094 nomes, pedindo a fundação de uma vila, pois assim os moradores “serão mais bem governados e mais bem administrados”.
A solicitação não foi levada na devida conta pela realeza portuguesa. Segundo César Marques, no seu Dicionário Histórico-Geográfico da Província do Maranhão, só em “25 de agosto de 1768, D. José fez saber ao governador do Maranhão que os moradores da ribeira do Itapecuru lhe pediram em 12 de setembro do ano próximo passado, alvará de confirmação da vila”.
Frustradas as primeiras tentativas para a fundação da vila de Itapecuru Mirim, só 49 anos depois, o assunto voltou a ser objeto de apreciação de Sua Majestade. Desta feita, por meio de um ilustre e rico cidadão lusitano, que se fazendo intérprete dos anseios da povoação, fez ver ao rei que estava em condições de materializar aquela empreitada.
Louvado ainda em César Marques, “pela Provisão Régia de 27 de novembro de 1817, D. João VI fez saber ao ouvidor da comarca do Maranhão, que sendo obrigado José Gonçalves da Silva, Fidalgo da Casa Real, pela mercê que lhe fez fundar à sua custa uma vila em terras que possuía nessa Capitania, e atendendo ao que os moradores do Itapecuru lhe representassem havia por bem, sem embargo de não possuir ele terreno próprio nesse lugar, consentir que aí verificasse a vila que devia fundar, comprando ou aceitando as terras necessárias, que lhe oferecessem os moradores”.
Depois de cumpridas as recomendações régias, dando conta da presença de trinta casais brancos e da construção das casas destinadas à Câmara, cadeia e oficinas, o Procurador do Fidalgo, Antônio Gonçalves Machado, em 20 de outubro de 1818, recebeu ordem para a fundação da vila.
No ano seguinte, em 20 de novembro de 1818, afirma César Marques, “quando aí existia uma povoação, composta de 138 fogos (casas), 767 almas, na Praça da Cruz, onde se achava o desembargador, ouvidor e corregedor da Comarca de São Luís do Maranhão, Francisco de Paula Pereira Duarte, e presentes o dito Alcaide-Mor, por seu Procurador, Antonio Gonçalves Machado, o clero, a nobreza e o povo, leu-se em voz alta e inteligível a Provisão de 27 de novembro de 1817, expedida em conseqüência do Decreto de 14 de junho do dito ano, e despacho da Mesa de Desembargo do Paço de 17 de julho e 24 de novembro do mesmo ano, determinando a criação dessa vila”.
FUNDAÇÂO DA CIDADE
Enquanto vila, Itapecuru Mirim, teve papel importante em dois momentos relevantes da História do Maranhão: nas lutas pela Independência do Brasil e na Guerra da Balaiada.
Em julho de 1823, foi palco de batalhas que resultaram na formação da Junta Provisória que proclamou a adesão do Maranhão à Independência; em abril de 1842, serviu de cenário do julgamento, condenação e enforcamento de Cosme Bento das Chagas, que se proclamava o tutor e imperador das Liberdades Bem-Te-Vis.
Anos depois desses marcantes fatos históricos, ainda na vigência do regime imperial, registrava-se um ato de transcendental importância, para a população itapecuruense.
No exercício da presidência da Província do Maranhão, José da Silva Maya, no dia 21 de julho de 1870, sancionava a Lei nº 919, votada e aprovada pela Assembléia Legislativa Provincial, elevando à categoria de cidade a vila de Itapecuru Mirim, status político-administrativo que o regime republicano, instaurado em 15 de novembro de 1889, manteve e que até os dias correntes é comemorado festivamente pelas autoridades e pelo povo.
Nestes 142 anos de cidade, Itapecuru foi administrada por cinco presidentes da Câmara Municipal, cinco intendentes nomeados, oito intendentes eleitos, uma junta governativa, seis prefeitos nomeados e dezoito prefeitos eleitos.
BENEDITO BUZAR, jornalista e presidente:  da Academia Maranhense de Letras e da Academia Itapecuruense de Ciências Letras e Artes – AICLA



      TRANSFORMAÇÃO DA VILA  ITAPECURU  EM CIDADE.
            LEI Nº 919 – DE 21 DE JULHO DE 1870
o dr. josé da silva maya, vice- presidente da província do maranhão. faço saber a todos os seus  habitantes que a assembléia legislativa provincial decretou e eu sancionei a lei seguinte:
art. 1º. fica elevada a cathegoria de  cidade a villa do itapecuru-mirim, com o titulo do mesmo nome.
art. 2°. ficão revogadas as disposições em contrario.
mando, portanto, a todos as autoridades, a quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumprão  e façÃo cumprir, tão inteiramente como n`ella  se contem. o secretario do governo a faça imprimir, publicar e correr. palácio do governo do maranhão aos vinte e um dias do mês de julho de mil oitocentos e setenta, quadragésimo nono da independência e do império.
                        JOSÉ  DA SILVA MAYA.

ITAPECURUENSES NOTAVEIS


 ALDACY RAPOSO NASCIMENTO

A cidade de Itapecuru Mirim, berço de inúmeros intelectuais, histórica pela cultura de seus filhos, que se destacaram e destacam-se na vida como: artistas, jornalistas escritores, poetas, matemáticos, cientistas, políticos, desbravadores, berço também de luta sindical, de tantos irmãos que se doaram pela melhoria de classes oprimidas, terra de homens e mulheres corajosos e vencedores. Entre ilustres itapecuruense, temos a professora Aldacy Raposo.

ALDACY RAPOSO NASCIMENTO é o nome da primogênita de Antônio Altair Montelo Raposo e Teresa de Jesus dos Santos Raposo, nasceu em Itapecuru Mirim em 25 de julho de 1930. Fez seus primeiros estudos com a professora Mariana Luz, se destacando sempre em matemática, nas sabatinas realizadas aos sábado, uma característica da família Raposo, a paixão pela Matemática.

Foi em Itapecuru que Aldacy viveu sua primeira infância, que faz questão de manter viva em sua memória. A casa dos seus avós na Rua do Egito, de comércio e beneficiamento de arroz, o avô libanês apelidado “Domingo Taliano” sendo seu nome original  Karam Assef Noporium e sua avó, a cearense Luisa Sampaio dos Santos: o casarão de oito portas, o cinema mudo, passado no salão cedido por sua avó viúva, também encenações de circos, apresentados na  varanda, nos dias de chuvosos,  onde as pessoas traziam  cadeiras de suas casas para a acomodação, o leite mugido tirado e tomado na hora, as lendas de pessoas que viravam “bicho” as “visagens” brincadeiras de porta, dos vizinhos. Relembra as famílias de dona Rafisa Buzar, os Nahuz, os Fiquenes, Raimundo Telegrafista, Newton Neves “padre Newton” como era chamado, o Newtinho, seu colega de serviço (Hospital Dutra) dona Carlotinha, João Elias, os tios Miguel Ahid e Jorge Assef  e muitos outros.

 A família mudou-se para São Luis, em 1939, fixando residência no bairro do Anil, passando Aldacy e seus irmãos, a estudar no colégio das freiras Franciscanas, atual Divina Pastora, concluindo o curso Normal no Colégio Santa Teresa.Mesmo morando em São Luis, o seu pai continuava com negócios em Itapecuru Mirim, o que proporcionava a menina Adacy, sempre voltar à cidade natal, para matar saudades dos amigos, relembrando, as viagens de trem, o bonde com tração animal (burros) que transportava pelos trilhos, da estação ao rio, evitando sujar os sapatos de lama, a travessia pela ponte flutuante, “Ponte de Minhoca” a alegria do reencontro com familiares e amigos.

Vale lembrar ainda, que o casarão de seus avós, conhecido como “Furna da Onça” foi vendido ao Senhor José Félix de Sousa “Cabocal” em 1953 e encomendada a demolição a José Félix, irmão e afilhado do Cabocal e Domingos Preto.